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O trabalho a céu aberto

O trabalho a céu aberto e o stress térmico

O calor, segundo o físico José Carlos Fernandes dos Santos pode ser definido como o fluxo de energia que acontece quando dois ou mais corpos possuem diferentes temperaturas, e espontaneamente, os corpos mais quentes transferem a energia para os mais frios, até que se atinja o equilíbrio térmico.

Em muitas atividades, os trabalhadores ficam expostos a altas temperaturas. O calor pode ser gerado por fontes artificiais (caldeiras, fornos) ou fontes naturais, como é o caso dos trabalhos a céu aberto.

As conseqüências ao homem exposto ao calor são diversas e vão desde a fadiga, tonturas, desmaios, insolação, com possibilidades de um AVC – Acidente Vascular Cerebral, conforme exposto pela Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho.

No organismo humano constantemente ocorre a troca térmica – ganhando ou perdendo calor – até que o mesmo se equilibre. Esta troca térmica acontece para que nosso corpo encontre um conforto térmico.

Atividades a céu aberto
As atividades a céu aberto estão sujeitas as variações climáticas e intempéries, variação da radiação solar e outros fatores externos que influenciam na precisão da avaliação. Sendo assim, a caracterização da insalubridade por calor nessas atividades fica prejudicada. Com essa variação climática influenciando no ambiente, não é possível quantificar o número de horas e períodos do ano em que o trabalhador fica exposto ao calor acima dos limites de tolerância.

A insalubridade por calor só pode ser caracterizada por fontes artificiais de calor. Portanto, para questões de Higiene Ocupacional, é dever da empresa adotar medidas de controle no ambiente de trabalho de forma que a Taxa Metabólica “M” fique compatível com o IBUTG e portanto dentro dos limites de exposição.

A neutralização através de EPI’s não ocorre, pois não é possível determinar se estes reduzem a intensidade do calor a níveis abaixo dos limites de tolerância, conforme prevê o artigo 191, item II, da CLT. Os EPIs (blusões e mangas), muitas vezes, podem até prejudicar as trocas térmicas entre o organismo e o ambiente. Entretanto, os EPIs devem ser sempre utilizados, uma vez que protegem os empregados dos riscos de acidentes e doenças ocupacionais.

Reduzindo-se o tempo de permanência junto às atividades pesadas (reduzindo o tempo de exposição) e planejando as atividades, constante hidratação e reposição de sais minerais, consegue-se neutralizar o risco físico Calor proveniente das atividades a céu aberto, protegendo os trabalhadores de desmaios, tonturas, quedas, problemas nos órgãos vitais (rim e fígado), sistema circulatório e cerebral.

As conseqüências da sobrecarga térmica no organismo
A exposição ao calor ambiental afeta na saúde psíquica e física do trabalhador. Como mostra a Secretaria da Educação do Estado do Paraná, o indivíduo exposto ao calor em excesso pode desenvolver “irritabilidade, fraqueza, depressão, ansiedade e incapacidade para se concentrar. Nos casos mais graves podem ocorrer alterações físicas.”

De acordo com a Fundacentro, a temperatura elevada prejudica a regulação da temperatura do corpo e pode causar males que vão desde fadiga a danos no cérebro. Quando o IBUTG (Índice de Bulbo Úmido e Termometro Globo - índice de calor) ultrapassa o limite de 27,0 ºC, é preciso ficar atento. Com um índice de 32ºC a 54ºC, os danos são câimbras, insolação e possibilidade de AVC – Acidente Vascular Cerebral. Acima de 54ºC é risco extremo.

Índice – IBUTG
Este índice é baseado na ponderação fracionada das temperaturas de globo, bulbo úmido e bulbo seco pela seguinte equação matemática: IBUTG = 0,7 x Tbn + 0,2 x Tg + 0,1 x Tbs (para ambientes com carga solar) ou

0,7 xTbn + 0,3 x Tg (para ambientes sem carga solar), onde Tbn é Temperatura de Bulbo Úmido Natural; Tg Temperatura de Globo e Tbs é Temperatura de Bulbo seco.

O Índice de Bulbo Úmido - Termômetro de Globo – IBUTG utilizado para a avaliação da sobrecarga térmica é um método simples, baseado na combinação das leituras provenientes dos termômetros de globo, bulbo úmido e seco, correlacionando posteriormente a carga térmica ambiental com a carga metabólica do tipo de atividade exercida pelo trabalhador. Utiliza-se para essa medição o Medidor de Stress Térmico.




 

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