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Instalações em obras

Instalações em canteiros de obras: responsabilidades do contratante

Apesar de estarmos falando em "instalações elétricas em baixa tensão", o risco inerente à energia elétrica, mesmo em baixa tensão, é desastroso e pode ser fatal. Historicamente, os acidentes com energia elétrica na construção civil são da ordem de 7% e, destes, 50% são fatais.


A diversidade das instalações, a complexidade dos terrenos e as constantes mudanças das empresas prestadoras de serviço fazem com que os contratantes dos serviços de mão-de-obra tenham procedimentos, processos e equipamentos adequados e voltados para as instalações elétricas provisórias dos canteiros de obras.
Devemos ter em mente que instalações elétricas provisórias de um canteiro de obras não são mais instalações improvisadas; são sim, bem feitas, dentro dos padrões mínimos de segurança (coordenação entre dispositivos de proteção e cabos, relação entre potências e proteções etc.), executadas para garantir o mínimo de conforto para os usuários em todas as fases de execução de uma obra.

Optar por investir nos procedimentos é o caminho mais adequado que uma empresa deve seguir. No entanto, fazer só os procedimentos não basta, é necessário verificar e cobrar constantemente o profissional que está ligado diretamente às instalações provisórias para que cumpra e siga à risca aquilo que foi determinado.
Parte desses procedimentos se baseia em duas normas essenciais para os eletricistas: a NR 10 e a NBR 5410/04. É fundamental e obrigatória aos eletricistas que manuseiam as instalações energizadas a realização de um curso sobre a NR 10, seja eletricista da construtora, seja do prestador de serviço. Tenha em mente: o eletricista que não tenha feito o curso da NR 10 não entra na obra.

A segurança elétrica das obras é também garantida quando o prestador de serviço indica um profissional qualificado para ser responsável pelas instalações provisórias, com elevado potencial de decisão, com estrutura técnica adequada (cursos práticos e teóricos de instalações elétricas) e conhecimentos em comandos elétricos.

Alguns procedimentos devem ser voltados também para o uso e a operação. Não devemos somente nos preocupar com a forma construtiva da instalação, mas também com quem vai utilizar uma tomada ou um ponto de luz. É necessário treinar o usuário a utilizar corretamente as instalações, assim como disponibilizar sinalizações alertando pessoas desqualificadas para não operar determinadas redes energizadas ou quadros de luz sem autorização ou acompanhamento de um responsável competente.

Criar modelos e padronizações de quadros gerais nas obras, sem partes vivas expostas e/ou fundos de madeira, promover o devido aterramento dos equipamentos e máquinas elétricas, identificar os painéis e tomadas, utilizar cabos elétricos com capa e isolante (0,6/1 kV – cabos unipolares ou multipolares) são algumas medidas que as construtoras podem implantar nas suas políticas de qualidade. Com isso, o prestador de serviço e toda a obra ficam em um patamar de segurança superior.

Exigir um atestado de aterramento coerente com as instalações da obra, fazer medições periódicas e garantir que, em qualquer situação, o equipamento elétrico está aterrado são práticas facilitadoras da fiscalização da construtora perante o serviço da contratada, procurando atingir sempre a mentalidade do “Zero Desvio”. Em eletricidade, não existe “gordura” para os erros, pois qualquer “ponto fora da curva” pode ser fatal.

As regras de segurança seguidas pelos técnicos não se restringem apenas aos aspectos inerentes à tecnologia elétrica. Muitos acidentes com eletricistas ocorrem, por exemplo, devido a quedas de escadas durante a execução dos trabalhos. Portanto, exigir a fiscalização dos equipamentos que a contratada fornece aos seus eletricistas e verificar sua integridade e perfeição é fundamental.

Não podemos deixar de falar nos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), obrigatórios e necessários para qualquer atividade técnica. Além do tradicional capacete, botina e luva, os eletricistas devem receber luvas de vaqueta, luvas e mangas de borracha, hastes de manobra, óculos de proteção, além das botinas que devem seguir o padrão C4, especial para os técnicos do setor. Se um prestador de serviço omitir o uso ou faltar com o fornecimento do EPI ao profissional estará contribuindo para a execução de uma obra com riscos aparentes.

Qualificar o eletricista com um curso da NR 10, fazer um treinamento sobre a NBR 5410/04, promover uma reciclagem anual das técnicas (por meio de cursos e palestras, até mesmo internas, com engenheiros ou profissionais da própria empresa), dispor de equipamentos para auxiliar o profissional em seu trabalho (voltímetros, multímetros, medidores de resistência de aterramento etc.) e conscientizar o profissional de que o que ele faz é importante e requer um mínimo de atenção à sua segurança são requisitos mínimos para que um canteiro de obras fique iluminado e seguro (livre de acidentes elétricos). Quando a segurança faz parte do negócio, protegendo as pessoas e o meio em que estão valores são agregados. Esse investimento certamente terá um alto retorno.

Por Hertez Puggina Corrêa 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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